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Artigo: “Tantra, Magia Sexual ou Psicologia?” no Jornal O Legado

Estou na edição de julho do jornal O Legado com um artigo falando das relações e conexões que existem entre os termos Tantra, Magia Sexual e as raízes da Psicologia. Especializado no segmento holístico, o jornal tem circulação gratuita em diversos pontos ligados às práticas holísticas em São Paulo. Segue abaixo o texto na íntegra:

Tantra, Magia Sexual ou Psicologia?

Ao longo da história da humanidade, o uso da sexualidade como meio para expansão da consciência já recebeu diversos nomes. Das tradições tântricas da Antiguidade à difusão da Magia Sexual no ocidente, passando pelo advento da psicanálise e posterior evolução para a psicologia analítica de Carl Jung, podemos encontrar um conceito comum: o de que a energia sexual é o alimento da psique individual. Isso é o fundamento básico do Tantra, é o principal pilar do que se entende por Magia Sexual e também é o ponto de partida da psicanálise.

Hoje, em virtude da banalização que o termo “tântrico” sofreu ao ser aplicado de forma grosseira em qualquer coisa de fundo sexual, pode parecer difícil entender, mas o Tantra está muito mais próximo das técnicas holísticas e da psicologia moderna do que de práticas estritamente sexuais. E no que tange o Vama Marga Tantra, o chamado Caminho da Mão Esquerda tântrico, não podemos esquecer os estudos ocultistas que visam aplicar o uso de oráculos e posicionamentos astrológicos como recursos para melhor direcionamento da energia vital individual que, em última instância, é sexual.

Mas, qual seria o fio condutor que une esses diferentes ramos do conhecimento humano? Para utilizar uma referência mais próxima, partamos da psicanálise. A disciplina criada por Sigmund Freud prega que a energia vital humana tem fundo sexual, em um conceito que ele nomeou de Libido. Segundo o pai da psicanálise, impulsos sexuais mal resolvidos podem resultar em distúrbios comportamentais e neuroses diversas pelo seu mau direcionamento. E esses bloqueios emocionais e psicológicos o indivíduo experimenta não somente na sua sexualidade, como também em todas as áreas de sua vida.

Discípulo de Freud, o psicoterapeuta Carl Jung expandiu o conceito de inconsciente freudiando e fundamentou o que chamou de sombra, o lado mais animalesco da personalidade humana. Aliás, é interessante saber que Jung estudou o Tantra profundamente e até apresentou um seminário inteiro dedicado ao estudo da filosofia tântrica, em 1932, denominado a “A Psicologia da Kundalini Yoga”. E é a partir dessa perspectiva que podemos entender o que de fato significa essa filosofia oriental que coloca a energia sexual como energia vital.

Muito antes do advento da psicanálise, há mais de cinco mil anos, um conjunto de escrituras encontradas na região do Himalaia, denominadas “Tantras”, pregava que a energia vibracional humana é sexual. Chamada de Kundalini, essa energia é descrita simbolicamente como uma serpente adormecida na base da coluna e é responsável por nutrir diversos pontos (sete ao todo) que se estendem ao longo do corpo até a cabeça, denominados Chakras. Para o Tantra, estar bem com a própria sexualidade é condição primordial para a saúde física, emocional e espiritual do indivíduo.

Com foco holístico, as práticas tântricas fazem intenso uso de ritos e símbolos, além de utilizarem recursos oraculares e astrológicos. Partem da sexualidade e da energia sexual de forma geral – e não somente do sexo em si – para desenvolver o autoconhecimento individual. Ao chegar no Ocidente por meio de Ordens Secretas e Iniciáticas, o Tantra passou a integrar os estudos do que se habituou a chamar de Magia Sexual, junto a outras práticas mágicas e sexuais ocidentais da Antiguidade.

“Magia é a ciência e a arte de causar mudanças de acordo com a vontade”, essa é a definição dada pelo controverso ocultista Aleister Crowley, um dos mais conhecidos – porém não único – difusores das práticas sexuais tântricas no Ocidente. Aqui, nesta definição, fica claro que o conceito de Magia vai muito além da materialização de coisas mundanas. Magia é a arte de modificar a realidade a partir do que Crowley chamou de “Verdadeira Vontade” do indivíduo, ou seja, a sua essência, que só terá luz a partir do momento em que este conseguir olhar para a própria sombra, como bem indicou Jung.

Assim, podemos concluir que o Tantra ou a Magia Sexual – independente da nomenclatura empregada – representa muito mais um caminho filosófico e psíquico do que um mero roteiro de práticas sexuais para incrementar o prazer. Pois, segundo estes, a chave para a evolução humana a caminho da Iluminação começa de dentro para fora, com um mergulho no inconsciente como propõe e Psicologia. Afinal, a Magia começa a acontecer a partir do autoconhecimento e não o contrário.

Para ler gratuitamente a edição integral do jornal, basta fazer o download do arquivo em pdf neste link aqui!

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