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Archives for : Mitologia

A estrela de Algol na Astrologia e o mito da Medusa

 

astrologia e sexualidade

Você conhece o mito da Medusa? Essa história mitológica grega serviu de inspiração para psicologia, já que tanto Freud quanto Jung notaram sua forte relação com o tema da sexualidade humana.

Algol, que no céu marca a cabeça da Medusa, é considerada uma estrela demoníaca, mas que por outro lado confere grande força quando seu significado é assimilado, segundo diversos povos da Antiguidade.

Na mitologia, Medusa era uma mulher de extrema beleza até ser punida pela deusa Atena. A deusa da razão transformou Medusa – que era sua discípula – em um ser assustador, com a cabeça cheia de serpentes, depois de sua pupila manter relações sexuais com Poseidon, o rei dos oceanos, considerado o mais poderoso dos deuses.

Ninguém conseguia se aproximar da Medusa até que o forte guerreiro Perseu conseguiu decapitá-la. A cabeça decapitada foi fixada no escudo de Atena como amuleto e do sangue da Medusa nasceu o Pegaso, o cavalo alado que é simbolo de sabedoria, inspiração e pureza.

A carta da Estrela e a Era de Aquário

 

era de aquario

O Arcano “A Estrela”, do Tarot de Thoth, aqui representada pela deidade Nuit, simboliza a força feminina criadora do céu e das estrelas, cultuada no Antigo Egito.
Também relacionada ao signo e à Era de Aquário, sua nudez e sensualidade remetem às ideias de renovação e cura.

Tantra e Pompoarismo: da Antiguidade para o dia-a-dia da mulher moderna

tantra e pompoarismo

Durga, uma das manifestações femininas da mulher tântrica. Montada em um tigre, ela mostra sua força

Vivemos hoje em um mundo paradoxal. Temos alta tecnologia, a ciência que a cada dia nos beneficia com novas descobertas e uma rede virtual que democratizou a informação sobre temas que até a bem pouco tempo atrás eram censurados. Mas, por outro lado, quando o tema é sexualidade feminina, ainda estamos longe do que algumas antigas civilizações alcançaram com estudos e práticas relativamente simples, mas que fazem toda a diferença na vida da mulher. As práticas do Tantra e do Pomporaismo são a prova disso.

Pouca gente sabe, mas essas artes milenares tem uma origem comum. Os exercícios do Pompoarismo aparecem detalhadamente registrados, pela primeira vez, em meio às escrituras denominadas “Tantras”.  Foi a partir dessas escrituras, encontradas na região que circunda a Cordilheira do Himalaya, que também se originaram o conjunto de práticas a que se deu no nome de Tantra. De natureza genuinamente pagã, o Tantra reflete uma sociedade matriarcal, já que descrevia a mulher como Shakti, a iniciadora tântrica de sua contraparte masculina.

Dentre os grupos seguidores do Tantra que habitavam essa região na Antiguidade, os movimentos do Pompoarismo eram uma rotina na vida das mulheres, muitas vezes ensinados de mãe para filha, como preparação para sua futura vida sexual. Isso porque, dentro do Tantra, o sexo é visto como um meio para a experimentação de estados alterados de consciência e, portanto, deve ser vivido em sua plenitude. O fluxo da energia sexual permite ativar a Kundalini, a energia vital tântrica que conduz à plena consciência ou à Iluminação.

Com o passar do tempo, as constantes guerras e as invasões territoriais, os grupos tântricos foram se ramificando em diversas subdivisões. Esses fatos geraram um sem número de adaptações das práticas tântricas e, com isso, muito conhecimento acabou se perdendo ou sendo fragmentado. E assim aconteceu com o Pompoarismo que foi, aos poucos, se dissociando de suas raízes filosóficas e sendo mais explorado em separado, graças aos seus benefícios aos músculos circunvaginais. Tais exercícios tornaram-se populares na Tailândia, onde até hoje são largamente praticados.

No ocidente, o grande responsável por resgatar essas técnicas milenares para exercitar os músculos do assoalho pélvico foi o ginecologista americano Arnold Kegel. Com bases em estudos e metodologia científica, Kegel conseguiu comprovar a efetividade dos exercícios que fez questão de catalogar. E o que ele descobriu foi que os exercícios do Pompoarimso são úteis não somente para incrementar o prazer feminino, mas também para tratar um mal que ainda atormenta muitas mulheres: a incontinência urinária.

E daí é que nos deparamos com uma questão ainda intrigante. Parece incrível que em uma sociedade tão avançada como nossa, ainda tenhamos muitas mulheres privadas desse conhecimento milenar tão essencial à saúde feminina.  Por questões culturais, deixamos de educar as mulheres para que conhecessem seu próprio corpo.

Mas, por sorte, esse cenário já dá sinais de mudança. E, assim, tem se tornado cada vez maior o número de mulheres que buscam informação e têm acesso a essas técnicas tão antigas, mas com o poder de transformar a vida da mulher moderna!

 

Escorpião: sexo, inconsciente, morte e renascimento

escorpiao zodiaco

“Não nos iluminamos imaginando figuras de luz, mas tomando consciência das trevas” – Carl Jung

Adorado por alguns, temido por muitos, mas compreendido por poucos. Isso talvez resuma bem o sentimento que o senso comum tem em relação ao signo de Escorpião. Mas o que significa, na verdade, esse temido signo?

A simbologia do Escorpião remete ao período pelo qual o Sol passa pela faixa zodiacal que corresponde ao ápice do outono no hemisfério norte e também ao período no qual começa a baixa das águas na região do rio Nilo. É o início do temido período de aridez do solo e escassez de comida. As folhas que caem e se putrefazem no solo e o musgo que se aproveita da água que começa a faltar geraram uma série de mitos ao redor do mundo.

Na mitologia egípcia, a deusa Selket era representada como a deusa Escorpião. Ela era a senhora dos mortos, cujo veneno também tinha capacidade de curar. Aliás, as faixas utilizadas nas mumificações, eram tidas como pedaços de seu cabelo, que era adornado por um escorpião com a cauda erguida pronta para o ataque. Mas Selket não era uma deusa “má”, até porque essa visão maniqueísta de “bem” e “mal” não se apresenta da mesma forma nas religiões pré-cristãs. A deusa Escorpião era também a ajudante de Isis (deusa fertilidade) em sua missão de ressuscitar o marido Osíris (deus do crescimento das plantas e da reprodução dos animais). Osíris havia descido ao mundo dos mortos após ter sido despedaçado por Seth (o deus estéril), restando preservado de seu corpo apenas o pênis.

Na mitologia grega, o Escorpião é identificado como o animal enviado por Artemis (a deusa da caça, correspondente à Diana dos romanos) ou por seu irmão Apolo (deus da consciência) para matar o senhor da caça Órion, por quem Artemis mantinha uma paixão. Assim, o exímio caçador desceu ao submundo passou um período entre os mortos e, de lá, foi posteriormente resgatado por Ophiuco, o deus da serpente, cujo veneno tem poder de curar.

Já após a descoberta do planeta Plutão, em 1930, um novo mito se adicionaria à simbologia de Escorpião. O signo das paixões e da morte ganha um novo planeta regente, em adição ao planeta Marte (representante da guerra e do impulso sexual), que já o governava desde a antiguidade.  Plutão (o deus das riquezas invisíveis) foi o escolhido pelos astrônomos para nomear o novo planeta que, desde então, passou a ser observado pela astrologia para identificar suas influencias por onde passa no zodíaco e, dessa forma, foi verificada sua afinidade com o signo de Escorpião, de quem passou a ser regente.

O deus romano Plutão corresponde ao Hades da mitologia grega. Hades foi salvo por seu irmão Zeus de ser engolido pelo pai, o titã Cronos. Assim que Zeus tomou o poder, deu a Hades o reino das trevas como parte de sua herança. E sobre esse reino, o sombrio deus reinava absoluto. Sempre que vinha à superfície, seu elmo tornava-o invisível para que não pudesse ser visto por nenhum mortal. Hades também foi responsável pelo rapto da virgem Perséfone e, após desposá-la, fez dela sua rainha, a senhora que circula entre o mundo dos vivos e dos mortos.

Em comum, esses mitos apresentam uma espécie de rito de passagem. Há a morte e a ressurreição por meio de um veneno que cura. Também há a imagem da paixão e da magia de uma sexualidade estéril, sem fins reprodutivos, associada ao medo de uma possível escassez de comida. Desse conjunto de temas psíquicos, nasceu a simbologia do signo de Escorpião.

Escorpião também governa a 8ª casa astrológica de nosso mapa natal, que trata de todos esses temas. Fala de como lidamos com a nossa sexualidade, o inconsciente e a mediunidade. Reflete ainda como lidamos com heranças e recursos de terceiros, já que nessa área de nosso mapa acumulamos todos os temas que são tabus: morte, dinheiro, poder e, como não poderia ficar de fora, as questões ancestrais a serem resolvidas, incluindo heranças familiares e o patrimônio que possuímos junto a terceiros.

Todos nós temos Escorpião, o planeta Plutão e a Casa 8 em nosso mapa natal. As combinações que esses elementos fazem refletem o modo como lidamos com nossas sombras. É aí que temos a tendência de acumular todas as nossas neuroses e desejos obsessivos.  Mas também é onde nos libertamos, onde buscamos a força essencial para nos transformar, regenerar e renascer. Mapas com um Plutão dominante, uma casa 8 muito acentuada ou com muitos planetas em Escorpião mostram pessoas com liderança nata, gente resistente e poderosa, mas que por outro lado tem tendência a compulsões e psicopatologias. Para esse indivíduo, será essencial aprender a lidar com seu inconsciente e com sua sexualidade, no mais amplo sentido freudiano do termo.

Afinal, como bem postulou Carl Jung, é olhando para nossas sombras que encontramos nossa luz interior!

 

 

Palestra sobre Astrologia e Mitologia

Com o tema: “Astrologia & Mitos Pessoais: Planetas, Estrelas e seus Arquétipos”, estive ne edição do Madame Freak de Setembro de 2013 para falar sobre a estreita relação entre os movimentos dos astros e as mitologias de diferentes culturas ao longo da história da humanidade.