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Categoria : Pompoarismo

Artigo: “O Conceito de Deus no Tantra”, no jornal O Legado

O conceito de Deus é algo complexo e muito individualizado, mas para os adeptos do Vama Marga Tantra, o Caminho da Mão Esquerda do Tantra, há tópicos sobre esse assunto que são essenciais ao entendimento dessa corrente de pensamento filosófico e místico. Com suas técnicas esotéricas que o conectam com o ocultismo, o Tantra precisa ser também entendido a partir dessa perspectiva. Esse foi o tema do meu artigo publicado no mês de novembro no jornal holístico O Legado. Leia abaixo o artigo na íntegra:

O Conceito de Deus no Tantra

Tantra não é religião, não possui dogmas e tampouco regras rígidas sobre como o conceito de divindade deve ser encarado. Mas uma coisa é certa: a maneira como o conceito de divino é explorado define a vertente tântrica a ser desbravada, especialmente no que tange a sexualidade. Apesar de muita gente ainda associar o Tantra estritamente às suas técnicas sexuais, a identificação filosófica é que define a forma como a sexualidade é vivenciada e não o contrário.

 

Isso porque as duas grandes vertentes do Tantra – o Dakshina Marga, chamado Caminho da Mão Direita, e o Vama Marga, o caminho da Mão Esquerda – diferem radicalmente sobre a origem e o tratamento ao conceito de divindade. Enquanto que o primeiro busca elevar as virtudes humanas a ponto de fundir o ser humano a uma ideia de divindade que estaria em planos superiores, o segundo busca o divino dentro de cada ser humano em um processo de autodeificação. E daí é que advém o uso da sexualidade para expansão da consciência na via sinistra do Tantra.

 

A partir desse conceito é que podemos entender, de fato, o que significam as técnicas para administração do orgasmo. Enquanto que o Dakshina Marga busca a contenção do prazer, o Vama Marga busca a sua exaltação. E isso se dá, entre outros motivos, porque de acordo com o Dakshina Marga, a busca desenfreada pelo prazer seria a fonte de todas as frustrações humanas, afastando o indivíduo do acesso às formas divinas. Segundo essa via destra, o sexo sem orgasmo seria a mais suprema expressão da compaixão e do amor sem desejo, algo almejado pelos praticantes que buscam a união a uma suposta força divina com origem externa à consciência do adepto.

 

Na direção oposta, o Caminho da Mão Esquerda visa a autodeificação, enaltecendo o orgasmo como a suprema expressão dos desejáveis “estados alterados de consciência”. Assim, as práticas tântricas do Vama Marga não são utilizadas para buscar qualquer divindade externa à consciência do praticante. Ao contrário, os deuses são manifestações do inconsciente e, assim, manifestam-se no plano material de forma a modificarem a realidade de acordo com a Verdadeira Vontade do Indivíduo.

 

Em suma, o que podemos comprovar na prática é que o Dakshina Marga e Vama Marga atuam em direções opostas na vida do ser tântrico. Entender esse conceito central no Tantra é a chave para trilhar um caminho de expansão da consciência sem distorções. Esse é um ponto crucial que, aliás, foi absolutamente ignorado por seguidores do Neotantra, a versão revisitada do Tantra que é para lá de equivocada. Neste último, as bases filosóficas tântricas são reinterpretadas em uma versão própria que não se posiciona em nenhuma das duas grandes vertentes do Tantra da Antiguidade.

 

E, se a busca de estados alterados de consciência por meio do Maithuna, o ato sexual tântrico, é uma exclusividade do Vama Marga ou do Caminho da Mão Esquerda, aqui deve ser também incluído o conceito de antinomianismo, o que significa a mais completa quebra de tabus pessoais e sociais. E aqui podemos ver que o Tantra, mais do que uma coletânea de técnicas sexuais é, sobretudo, um caminho filosófico complexo, cujos meandros não podem se resumir a uma mera prestação de serviços supostamente terapêuticos como propõe o Neotantra com suas “massagens”.

 

Viver o Tantra no dia-a-dia e na intimidade de cada indivíduo é o que se propõe com o Vama Marga. A via sinistra é essencialmente experiencial e pressupõe uma busca individual. Esse esforço, aliás, é parte do processo de autodescoberta e de exploração das potencialidades psíquicas individuais. Portanto, esqueça a terceirização e a contratação de prestadores de serviços supostamente tântricos, pois não há meio de expandir a consciência que não parta do esforço pessoal e da disciplina acadêmica.

 

Tornar-se divino, como visa o Vama Marga Tantra, com o uso da sexualidade requer dedicação. Claro que o prazer é enaltecido com finalidades místicas. Entretanto, é vital lembrar que o sexo é o meio e não o fim. Pois o encontro com a própria divindade não pode – e nem deve – ser encarado como mera busca desesperada por sensações imediatas: ele é o passaporte divino para a eternidade.

 

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Artigo: “Tantra: a arte do amor”, no jornal O Legado

O amor é o tema do meu artigo da edição de outubro do jornal holístico O Legado. Muita gente tem dificuldade para entender esse conceito, mas o fato é que ele é a base do processo de Iluminação, segundo o Vama Marga Tantra, o Caminho da Mão Esquerda Tântrico. Segue abaixo o artigo na íntegra:

Tantra: a arte do amor

Às vezes parece difícil falar sobre amor sem cair na tentação dos clichês, mas o fato é que ele é a base do Tantra. Pena que, ao ter contato com esses ensinamentos milenares com raízes que remetem a mais de três mil anos a.C, houve quem os transformasse em uma porção de frases soltas de autoajuda. Mas o que o Tantra fala sobre amor é muito mais profundo do que isso.

 

De acordo com as escrituras encontradas na região que circunda a Cordilheira do Himalaya denominadas “Tantras” – de onde veio a palavra “Tantra” -, todo o Universo teria sido gerado a partir do casamento mágico de Shiva (a consciência e a polaridade masculina) com Shakti (a energia pura, aquilo que ainda está por se manifestar e a polaridade feminina). Esse seria o ato de amor primordial para a criação da vida. Longe de interpretar tal fábula apenas como mais uma versão para teorias criacionistas, essa metáfora deve ser encarada em seu caráter simbólico.

 

Primeiro, porque Shiva e Shakti estão dentro de todos nós. Assim como Sol e Lua, Noite e Dia (Lux e Nox), Positivo e Negativo, estes são opostos complementares presentes na composição alquímica de todos os seres. Afinal, deve-se atentar para o princípio hermético de que “o que está em cima é como o que está embaixo”. E a busca pelo fio condutor que une essas duas pontas é o caminho para o Nirvana ou a Iluminação no Tantra.

 

E qual seria a chama primordial que teria feito Shiva e Shakti se unirem? Nada que não o amor. Mas quando o amor aparece nesse mito, ele vem com uma carga simbólica que vai muito além do sentimento que inspira poemas há séculos. O amor, nesse caso, é análogo à Kundalini, a energia vital tântrica que também pode ser interpretada como a energia sexual.

 

Seria para o Tantra então amor sinônimo se sexo? A resposta é: sim e não. Sim, porque, em última instância, o que o Tantra preconiza há milênios é muito parecido com o que a psicanálise de Sigmund Freud estabeleceu há pouco mais de um século. O Eros é a pulsão da vida e a Libido é a energia motriz do ser humano. Mas, no caso da visão tântrica, há uma diferença baseada em uma percepção sutil: o Tantra fala dessa energia como algo que circula pelo corpo e que pode ser experimentado de forma mística, em rituais que incluem até o ato sexual em si como é o caso do Maithuna, o ato sexual tântrico.

 

Porém, há de se considerar o que é muito comumente ignorado pelo senso comum: o fato de que apenas cerca de 7% de todo o conteúdo das escrituras tântricas tratam de técnicas sexuais. Os demais 93% cobrem diversos outros temas por vezes ignorados por aqueles que fazem do Tantra uma coleção de frases prontas sobre sexo e relacionamento. O amor tântrico deve ser encarado como uma fórmula mágica.

 

No Ocidente, quando o Vama Marga Tantra – o chamado Caminho da Mão Esquerda Tântrico – passou a ser estudado seriamente por grupos ocultistas, essa interpretação foi explorada no que ficou conhecido por Magia Sexual. Da Sociedade Teosófica de Helena Blavatsky, passando pela emblemática Ordem Hermética da Aurora Dourada e, posteriormente, pela Ordo Templi Orientis do controverso ocultista inglês Aleister Crowley, todos os grupos que se aprofundaram no tema da relação entre sexualidade e espiritualidade encararam os ensinamentos tântricos de maneira mais abrangente do que mera dissertação retórica sobre a arte de amar.

 

Segundo essa visão, que é sustentada por estudos acadêmicos dos mais relevantes, o amor no Vama Marga Tantra é um valor arquetípico que pavimenta o acesso ao inconsciente. Ele é, antes de qualquer coisa, o que Crowley chamou de “Grande Obra”, um mergulho do ser tântrico dentro de si mesmo ao explorar a sexualidade em busca de sua “Verdadeira Vontade” em um procedimento similar ao definido pelo psicoterapeuta Carl Jung quando conceituou o seu Processo de Individuação.

 

Dessa forma, a arte de amar no Tantra é um caminho mágico que contempla um conjunto de sentimentos e sensações místicas, o que inclui a sexualidade, mas também a transcende. Esse é o real significado da palavra AGAPE, que em grego significa “amor”, mas que para o buscador do Vama Marga Tantra, significa também o encontro com o seu EU mais profundo. Afinal, para o Tantra, não existe verdade absoluta que não seja a de que o Amor é a Lei; Amor sob Vontade!

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Artigo: “Tantra, Magia Sexual ou Psicologia?” no Jornal O Legado

Estou na edição de julho do jornal O Legado com um artigo falando das relações e conexões que existem entre os termos Tantra, Magia Sexual e as raízes da Psicologia. Especializado no segmento holístico, o jornal tem circulação gratuita em diversos pontos ligados às práticas holísticas em São Paulo. Segue abaixo o texto na íntegra:

Tantra, Magia Sexual ou Psicologia?

Ao longo da história da humanidade, o uso da sexualidade como meio para expansão da consciência já recebeu diversos nomes. Das tradições tântricas da Antiguidade à difusão da Magia Sexual no ocidente, passando pelo advento da psicanálise e posterior evolução para a psicologia analítica de Carl Jung, podemos encontrar um conceito comum: o de que a energia sexual é o alimento da psique individual. Isso é o fundamento básico do Tantra, é o principal pilar do que se entende por Magia Sexual e também é o ponto de partida da psicanálise.

Hoje, em virtude da banalização que o termo “tântrico” sofreu ao ser aplicado de forma grosseira em qualquer coisa de fundo sexual, pode parecer difícil entender, mas o Tantra está muito mais próximo das técnicas holísticas e da psicologia moderna do que de práticas estritamente sexuais. E no que tange o Vama Marga Tantra, o chamado Caminho da Mão Esquerda tântrico, não podemos esquecer os estudos ocultistas que visam aplicar o uso de oráculos e posicionamentos astrológicos como recursos para melhor direcionamento da energia vital individual que, em última instância, é sexual.

Mas, qual seria o fio condutor que une esses diferentes ramos do conhecimento humano? Para utilizar uma referência mais próxima, partamos da psicanálise. A disciplina criada por Sigmund Freud prega que a energia vital humana tem fundo sexual, em um conceito que ele nomeou de Libido. Segundo o pai da psicanálise, impulsos sexuais mal resolvidos podem resultar em distúrbios comportamentais e neuroses diversas pelo seu mau direcionamento. E esses bloqueios emocionais e psicológicos o indivíduo experimenta não somente na sua sexualidade, como também em todas as áreas de sua vida.

Discípulo de Freud, o psicoterapeuta Carl Jung expandiu o conceito de inconsciente freudiando e fundamentou o que chamou de sombra, o lado mais animalesco da personalidade humana. Aliás, é interessante saber que Jung estudou o Tantra profundamente e até apresentou um seminário inteiro dedicado ao estudo da filosofia tântrica, em 1932, denominado a “A Psicologia da Kundalini Yoga”. E é a partir dessa perspectiva que podemos entender o que de fato significa essa filosofia oriental que coloca a energia sexual como energia vital.

Muito antes do advento da psicanálise, há mais de cinco mil anos, um conjunto de escrituras encontradas na região do Himalaia, denominadas “Tantras”, pregava que a energia vibracional humana é sexual. Chamada de Kundalini, essa energia é descrita simbolicamente como uma serpente adormecida na base da coluna e é responsável por nutrir diversos pontos (sete ao todo) que se estendem ao longo do corpo até a cabeça, denominados Chakras. Para o Tantra, estar bem com a própria sexualidade é condição primordial para a saúde física, emocional e espiritual do indivíduo.

Com foco holístico, as práticas tântricas fazem intenso uso de ritos e símbolos, além de utilizarem recursos oraculares e astrológicos. Partem da sexualidade e da energia sexual de forma geral – e não somente do sexo em si – para desenvolver o autoconhecimento individual. Ao chegar no Ocidente por meio de Ordens Secretas e Iniciáticas, o Tantra passou a integrar os estudos do que se habituou a chamar de Magia Sexual, junto a outras práticas mágicas e sexuais ocidentais da Antiguidade.

“Magia é a ciência e a arte de causar mudanças de acordo com a vontade”, essa é a definição dada pelo controverso ocultista Aleister Crowley, um dos mais conhecidos – porém não único – difusores das práticas sexuais tântricas no Ocidente. Aqui, nesta definição, fica claro que o conceito de Magia vai muito além da materialização de coisas mundanas. Magia é a arte de modificar a realidade a partir do que Crowley chamou de “Verdadeira Vontade” do indivíduo, ou seja, a sua essência, que só terá luz a partir do momento em que este conseguir olhar para a própria sombra, como bem indicou Jung.

Assim, podemos concluir que o Tantra ou a Magia Sexual – independente da nomenclatura empregada – representa muito mais um caminho filosófico e psíquico do que um mero roteiro de práticas sexuais para incrementar o prazer. Pois, segundo estes, a chave para a evolução humana a caminho da Iluminação começa de dentro para fora, com um mergulho no inconsciente como propõe e Psicologia. Afinal, a Magia começa a acontecer a partir do autoconhecimento e não o contrário.

Para ler gratuitamente a edição integral do jornal, basta fazer o download do arquivo em pdf neste link aqui!

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Tantra e Neotantra: variações e banalizações do tantrismo

É bem verdade que a prática do Tantra é muito variada. É tão diversificada quanto o tamanho de sua história que contabiliza já mais de cinco mil anos. Mas, em meio a tantas variações, há também um sem número de adaptações e banalizações que pouco nada tem de tântricas.

O Tantra tem base filosófica, é pagão e anterior ao surgimento das religiões. Para sua prática, deve-se estudar a anatomia dos Chakras, entender e meditar sobre a sua natureza matriarcal postulada sob o conceito de Shakti e conhecer uma série de preceitos filosóficos que visam expandir a consciência do aspirante. A partir de uma base de conhecimento, é possível a auto-iniciação na prática do Sexo Tântrico – ou do Maithuna, para utilizar a nomenclatura original em Sânscrito.

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A união sexual de Shiva com sua Shakti

As práticas do Sexo Tântrico também variam em função de diversos aspectos, especialmente em relação a sua abordagem nas diferentes correntes do Tantra. No Dakshina Marga, o denominado Caminho da Mão Direita,  o sexo é secundário e tem caráter devocional. Seguidores mais radicais desse caminho podem, por exemplo, optar por suprimir o orgasmo ou até seguir um caminho celibatário. E ainda assim praticarem Tantra. Já no Caminho da Mão Esquerda, ou Vama Marga em sânscrito, o orgasmo não somente é desejado como potencializado, já que o prazer é visto como meio para expansão da consciência. Nele, o orgasmo é sinônimo do que os franceses chamam de “Petit Mort”, ou “Pequena Morte” na tradução livre ao português, e pode abrir o caminho para estados alterados de percepção sobre a realidade. Praticantes radicais da via sinistra buscam o desenvolvimento da capacidade multiorgástica para trabalhar técnicas como a exaustão por meio do orgasmo.

Entretanto, a repressão da sexualidade que vivenciamos especialmente nesses últimos 2 mil anos deu origem a uma série de adaptações que muito pouco ou nada mantém da essência tântrica. Autores populares como Osho e seus seguidores criaram o que se chama de Neotantra, prática que não se enquadra em nenhuma das correntes do Tantra da Antiguidade. Do Neotantra surgiu a tão famosa “massagem tântrica” e um conjunto de textos de autoajuda que nada falam da filosofia tântrica. Praticantes da “massagem tântrica” insistem em reafirmar que seus serviços não são sexuais, já que não incluem intercurso sexual, mas englobam em muitos casos manipulações genitais em busca do orgasmo. E clientes desse tipo de serviço pouco ou nada sabem das bases filosóficas do Tantra. Seria esse um caminho mesmo viável para expansão da consciência ou mero e banal hedonismo capitalista?

Enquanto isso, o Maithuna virou tabu. Falar de sexo e espiritualidade é ponto de desconfiança. Falar de sexo e misticismo, resgatando a essência do Tantra em práticas sexuais de fato, ainda é assunto encoberto por desinformação. Daí vemos muitos praticantes sérios do Tantra que evitam falar das técnicas sexuais, já que elas representam apenas 7% do conteúdo das escrituras dos Tantras. E tal conteúdo segue sob o desconhecimento da sociedade e do publico em geral.

Vamos então mudar essa realidade, quebrar tabus e falar seriamente do sexo para expansão da cosnciência? Tantra não é só sexo, mas sua filosofia está fortemente embasada na sexualidade e na canalização da energia sexual. E difundir as bases filosóficas entre iniciantes não é assim tão dificil. Pois precisamos acreditar que há muito mais pessoas interessadas em expandir a autoconciência e lidar melhor com a própria sexualidade, sem terceiros, vivendo o sexo tântrico na intimidade, sozinho ou com o parceiro.

Palestra sobre Tantra e Sexo Tântrico na 21ª Erotika Fair

Em uma iniciativa da Doce Sensualidade, em seu espaço Erotika Femme, a 21ª edição da Erotika Fair recebeu a palestra “Tantra: o milenar culto à sexualidade e à feminilidade”.

Os participantes do evento, que é o maior do setor erótico da América Latina, puderam conhecer o que de fato significa Tantra. A audiência muito atenta interagiu bastante para saber como incorporar as técnicas tântricas na intimidade de cada individuo, sem terceirizações, como forma de utilizar a energia sexual para expansão da consciência.

A palestra aconteceu no último sábado, dia 29 de março de 2014, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

Curso de Tantra em parceria com Sex Shop Mil e Uma Noites

curso de tantra e sexo tantrico

Em parceria com o Sex Shop Mil e Uma Noites e com o patrocínio da Santo Cosméticos e da Desiré Real Line, acontece mais uma edição do Curso de Tantra e Sexo Tântrico. No conteúdo, as técnicas milenares utilizadas para aumentar o prazer como veículo de expansão da consciência.

O conteúdo tem cerca de três horas de duração e o curso é apostilado.

Para acomodar diferentes agendas, o curso acontecerá em duas edições, na quarta feira, dia 12 de Março, e no sábado, dia 15 de Março.  O evento ocorre no Dallas Office Center, cujo endereço é na Rua Fagunges Filho, 191 (próximo ao Metrô Saúde).

Para mais informações e inscrições, entre em contato pelo e-mail contato@sexshop1001noites.com.br ou pelo telefone 11-96591-5171

Sexo Tântrico: muito além da vulgar “massagem tântrica”

Basta pronunciarmos a palavra “Tantra” no ocidente para imediatamente vermos pessoas se dividindo em dois grupos radicalmente distintos. De um lado, praticantes de yoga e seguidores de vertentes esotéricas que exploram, de forma exclusivamente meditativa e filosófica, ensinamentos presentes nas escrituras que são a origem de todas as vertentes tântricas. Para estes, muitas vezes, a exploração de técnicas sexuais é revestida de diversos tabus, apesar do sexo ser parte inerente ao Tantra desde a sua fundação.

Por sua vez, podemos observar uma outra ala radicalmente oposta. É o grupo daqueles que, utilizando a fórmula consagrada na publicidade de que sexo vende qualquer coisa, criaram uma série de serviços sexuais empacotados em nomes bem comercais. Assim nasceram termos como “massagem tântrica”, “terapia tântrica” e um sem numero de serviços prestados por terceiros que entram na intimidade das pessoas quase como que masturbadores profissionais. Tais práticas muito pouco ou quase nada mantém da essência do Tantra. Aliás, diga-se de passagem que o termo “massagem tântrica” é um neologismo. Tântricos estão muito longe de serem meros e vulgares “massagistas”, até porque o que se vende em sessões de “massagem tântrica” não chega a 5% do que o Tantra oferece.

O Tantra explora os cinco sentidos e envolve diversas técnicas corporais

O Tantra explora os cinco sentidos e envolve diversas técnicas corporais

Mas então, o que seria o Tantra? E como praticá-lo? Bem, a resposta para resgatar o Tantra e todos os seus benefícios une um pouco do que pregam os dois grupos mencionados acima, mas com uma abordagem bem diferente. Sim, o Tantra é filosófico e é esotérico. E conhecer essas bases fará com que o aspirante possa entender os mecanismos das técnicas que aprimoram o prazer para incorporá-las na sua intimidade, sem fórmulas prontas e de acordo com as suas preferências.  Mas para isso, será necessário admitir que o Tantra é também a exploração do sexo e da sexualidade como meio para experimentação de estados alterados de consciência, o que inclui técnicas meditativas, mas não se resume a isso.

Ao praticar o Tantra, o aspirante deve quebrar tabus em relação a temas como masturbação e o toque erótico em diversas partes do corpo. Mas é também importante ter em mente que essa estimulação é apenas uma ínfima parte do que o Tantra oferece, especialmente se for aplicada por terceiros. Aliás, cabe ressaltar que ao contratar alguém para que estimule o seu corpo, o aspirante está na realidade caminhando no sentido oposto ao Tantra. Afinal, por que delegar a exploração do sexo e da sexualidade a um prestador de serviços?  Seria então o estudo pessoal da anatomia e das técnicas tântricas para aplicação na própria intimidade mais um tabu?

Questione, duvide, busque informação. E não caia na besteira de resumir o Tantra a uma mera “massagem”. Pense que o caminho tântrico envolve explorar tantricamente um imenso universo que inclui fantasias sexuais diversas, fetiches, sexo oral, sexo anal e tudo mais que a sua imaginação permitir. E o melhor: sem a contratação de terceiros e com a base de técnicas consagradas e milenares. Afinal, no Tantra, assim como em qualquer coisa na vida, tudo começa com o  conhecimento!

Namastê!

Verdades e Mentiras sobre Tantra e Sexo Tântrico

Se olharmos para a época dos primeiros registros históricos do conjunto de práticas pagãs descritas nas escrituras denominadas “Tantras” – de onde deriva o nome “Tantra” e a expressão “Sexo Tântrico” – até o os dias de hoje, muito tempo se passou. Desde então, diversos serviços (muitos deles um tanto equivocados) surgiram ao acrescentar o adjetivo “tântrico” a um sem número de atividades.

“Massagem Tântrica”, “Terapia Tântrica”, “Iniciação Tântrica” e por aí vai. Parece que para cada coisa que soa inatingível ou frustrante no campo da sexualidade humana foi criada uma solução “tântrica”. O resultado disso é que muita gente ainda acha que para praticar o Tantra o aspirante precisa adquirir serviços – massagens ou supostas “iniciações” – prestados por terceiros, o que não é verdade.

curso de tantra

Tantra: técnicas milenares podem ser vividas na intimidade do casal

É claro que o Tantra requer técnica. E também é bem verdadeiro que as técnicas sexuais tântricas realmente aprimoram a experiência de prazer durante o ato sexual. Mas o que não se faz necessária é a terceirização profissional ou contratação de serviços que, na realidade, não passam de distorções que pouco ou nada mantém do que é retratado nas escrituras tântricas.

Com uma base de conhecimento e um pouco de treino, é possível viver o Tantra dentro do universo de cada indivíduo e também na vida sexual do casal, com práticas diversas que são realmente muito prazerosas. Essa abordagem não é somente possível, como leva o sexo tântrico para onde ele sempre esteve desde a Antiguidade: a intimidade.

Outra coisa importante para se considerar quando pensamos em Tantra são suas raízes filosóficas. Aliás, diga-se de passagem, que o misticismo tântrico é bem peculiar e que, em suas diversas vertentes, é possível encontrar abordagens compatíveis até aos mais céticos.  Dentre as diversas correntes e caminhos tântricos, há vertentes que falam de um “encontro com o divino”, mas também há aquelas que não pregam a existência de um deus externo à consciência do praticante, se aproximando muito da abordagem da psicologia para o tema da sexualidade.

Isso porque, de todos os temas abordados nas escrituras tântricas, somente 7% tratam de técnicas corporais com fundo sexual. Os demais 93% abordam assuntos diversos que derivam da aplicação de um pressuposto tântrico básico: o de que a nossa energia vital tem fundo sexual. Aliás, esse é um dos pontos que comprova o quanto o Tantra, apesar de tão antigo, ainda é válido para os dias atuais.

Não podemos ignorar que esse sistema, criado há quase cinco mil anos, pregava no oriente o que só se passou a aceitar no ocidente há pouco mais de cem anos com a psicanálise. Enquanto o Tantra retrata a “Kundalini” como a chama vital humana, Sigmund Freud conceituou a “Libido”.

E isso explica a grande dificuldade que ainda temos no ocidente para incorporar o Tantra em nossa intimidade, sem terceiros, mas buscando informação e conhecimento para incorporá-lo em nossa vida sexual. A repressão a que fomos submetidos nos distanciou do uso do prazer como forma de expansão da consciência, colocando o sexo e a sexualidade em um local inacessível, obscuro e cheio de tabus.

E daí é que podemos tirar proveito de outro princípio tântrico básico que é a quebra de tabus. Esqueça aquela história de que aprender técnicas tântricas para usar a sós ou com o parceiro é algo distante, busque informação e coloque em prática o quanto antes. Porque sempre é hora para o despertar de uma nova consciência!

 

VIDEO: Entrevista para programa Lelah Monteiro

A sexóloga e fisioterapeuta Lelah Monteiro abordou temas como Tantra, práticas sexuais da Antiguidade e a relação entre misticismo e sexualidade em seu programa semanal exibido pela JustTV. Eis a entrevista da especialista Virgínia Gaia:

Tantra e Pompoarismo: da Antiguidade para o dia-a-dia da mulher moderna

tantra e pompoarismo

Durga, uma das manifestações femininas da mulher tântrica. Montada em um tigre, ela mostra sua força

Vivemos hoje em um mundo paradoxal. Temos alta tecnologia, a ciência que a cada dia nos beneficia com novas descobertas e uma rede virtual que democratizou a informação sobre temas que até a bem pouco tempo atrás eram censurados. Mas, por outro lado, quando o tema é sexualidade feminina, ainda estamos longe do que algumas antigas civilizações alcançaram com estudos e práticas relativamente simples, mas que fazem toda a diferença na vida da mulher. As práticas do Tantra e do Pomporaismo são a prova disso.

Pouca gente sabe, mas essas artes milenares tem uma origem comum. Os exercícios do Pompoarismo aparecem detalhadamente registrados, pela primeira vez, em meio às escrituras denominadas “Tantras”.  Foi a partir dessas escrituras, encontradas na região que circunda a Cordilheira do Himalaya, que também se originaram o conjunto de práticas a que se deu no nome de Tantra. De natureza genuinamente pagã, o Tantra reflete uma sociedade matriarcal, já que descrevia a mulher como Shakti, a iniciadora tântrica de sua contraparte masculina.

Dentre os grupos seguidores do Tantra que habitavam essa região na Antiguidade, os movimentos do Pompoarismo eram uma rotina na vida das mulheres, muitas vezes ensinados de mãe para filha, como preparação para sua futura vida sexual. Isso porque, dentro do Tantra, o sexo é visto como um meio para a experimentação de estados alterados de consciência e, portanto, deve ser vivido em sua plenitude. O fluxo da energia sexual permite ativar a Kundalini, a energia vital tântrica que conduz à plena consciência ou à Iluminação.

Com o passar do tempo, as constantes guerras e as invasões territoriais, os grupos tântricos foram se ramificando em diversas subdivisões. Esses fatos geraram um sem número de adaptações das práticas tântricas e, com isso, muito conhecimento acabou se perdendo ou sendo fragmentado. E assim aconteceu com o Pompoarismo que foi, aos poucos, se dissociando de suas raízes filosóficas e sendo mais explorado em separado, graças aos seus benefícios aos músculos circunvaginais. Tais exercícios tornaram-se populares na Tailândia, onde até hoje são largamente praticados.

No ocidente, o grande responsável por resgatar essas técnicas milenares para exercitar os músculos do assoalho pélvico foi o ginecologista americano Arnold Kegel. Com bases em estudos e metodologia científica, Kegel conseguiu comprovar a efetividade dos exercícios que fez questão de catalogar. E o que ele descobriu foi que os exercícios do Pompoarimso são úteis não somente para incrementar o prazer feminino, mas também para tratar um mal que ainda atormenta muitas mulheres: a incontinência urinária.

E daí é que nos deparamos com uma questão ainda intrigante. Parece incrível que em uma sociedade tão avançada como nossa, ainda tenhamos muitas mulheres privadas desse conhecimento milenar tão essencial à saúde feminina.  Por questões culturais, deixamos de educar as mulheres para que conhecessem seu próprio corpo.

Mas, por sorte, esse cenário já dá sinais de mudança. E, assim, tem se tornado cada vez maior o número de mulheres que buscam informação e têm acesso a essas técnicas tão antigas, mas com o poder de transformar a vida da mulher moderna!