O papel do astrólogo: porquê não vendo mapas astrais automatizados

O papel do astrólogo - Virginia Gaia
Nos ombros de gigantes: a profissão de astrólogo se desenvolve em meio a sacerdotes, filósofos e cientistas. Para exercer a Astrologia, é preciso conhecimento técnico, sensibilidade e, sobretudo, valorização do ser humano.

A internet popularizou a Astrologia e isso é ótimo. Na Antiguidade, somente reis e aristocratas muito poderosos tinham acesso a um astrólogo. Hoje, todo mundo pode calcular o seu mapa astral na rede. Eu mesma lancei – e tem sido um sucesso absoluto – o serviço de Mapa Astral Gratuito aqui no site. E, junto dele, tomei uma decisão: a de não vender mapas astrais com relatórios de interpretação gerados automaticamente.

Achou estranho? Então, vale reforçar: eu faço questão de interpretar o Mapa Astral e orientar a pessoa sobre cada planeta, estrela, ponto, signo ou casa astrológica presente nele. A consulta pode ser online, via chamada de áudio ou vídeo, mas é preciso haver uma conversa para a interpretação. E por quê?

Bem, sabe o mecanismo que você usa aqui para calcular Mapas Astrais gratuitamente? Ele é exatamente o mesmo dos sites que vendem mapas astrais que vêm acompanhados por longos relatórios por escrito. A única diferença é que, neles, um astrólogo fez o upload de textos padronizados com o significado isolado de planetas nos signos, nas casas astrológicas e seus aspectos.

Robôs combinam sentenças automaticamente e não interpretam nada

Em outras palavras, você paga pelo processamento feito por um robô que apenas combina descrições genéricas e bem inespecíficas. Por exemplo: suponhamos que uma pessoa tenha o planeta Vênus, no signo de Leão, na Casa 5 e em conjunção com Júpiter. Para analisar essa influência, o programa apenas combina, automaticamente, os textos que têm em seus arquivos. É uma operação simples, robotizada, que apenas concatena palavras. E só.

“Vênus em leão” + “Vênus na casa 5” + “Vênus em conjunção com Júpiter”

O relatório, por mais extenso que seja, jamais será capaz de interpretar o resultado dessa combinação. Aliás, mais do que isso, ele não consegue identificar como você está lidando com esse simbolismo. E, pior ainda, não pode fornecer orientação para as questões na sua vida que recebem essa influência.

Ah, e tem mais: caso você tenha alguma configuração astrológica especial ou mesmo a presença de algum planeta angular, por exemplo, essas informações fundamentais serão sumariamente ignoradas. Voltando ao mesmo exemplo que dei acima, se o planeta Vênus também estiver em oposição a Saturno, esse dado não será analisado junto com a variável “Vênus em conjunção com Júpiter”.     

Diante disso, fica a pergunta: mas, afinal, para que serve um astrólogo? Será que é só para fornecer narrativas enlatadas? Bem, penso que, se fosse assim, não teríamos entre nossos colegas de profissão algumas das personalidades mais geniais da história da humanidade, como Cláudio Ptolomeu, Johannes Kepler e Carl Jung.

Apoiada sobre os ombros de gigantes

Quando Isaac Newton eternizou sua famosa frase “se enxerguei mais longe é porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”, ele estava se referindo à contribuição histórica de inúmeras cabeças pensantes. Muitas delas que, aliás, também ajudaram a escrever a história da Astrologia, em uma época na qual astrólogos tinham profundos conhecimentos de Astronomia e Filosofia, ficando mil anos luz de distância de respostas prontas e estereotipadas sobre a vida e as pessoas.

Nesse sentido, também não podemos deixar passar batido um dos nomes mais mencionados pelos amantes da Astrologia: Carl Jung. Foi com ele que a Astrologia passou a ser interpretada pelo prisma da Psicanálise e de sua Psicologia Analítica. Citado por muitos astrólogos de maneira leviana, Jung era catedrático ao afirmar que, para tocar uma alma humana, é preciso ser outra alma humana.  

Ao discursar sobre a Astrologia enquanto desenvolve a sua teoria da sincronicidade, Jung a coloca como ferramenta de apoio ao processo de individuação, um conceito central em sua Psicologia Analítica. Então, vender para alguém a ideia de que é possível “identificar traços de personalidade” assim, de maneira automatizada, com um Mapa Astral feito por robôs, significa um grande equívoco.

Longe de querer desqualificar o trabalho dos colegas astrólogos – entre eles, alguns excelentes profissionais -, que acabaram sucumbindo às tentações da era digital, vale lembrar: autoconhecimento é coisa séria! E ainda não há tecnologia que dê conta da complexidade psíquica do ser humano. 

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